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Maternidade na adolescência: uma responsabilidade social

Maternidade na adolescência: uma responsabilidade social

Cláudia Mourão

Não existe uma idade certa para ser mãe, contudo, considera-se que, após a puberdade, ou adolescência, a mulher está melhor preparada nos aspectos biológico e, sobretudo, psicológico. No Brasil, a concepção gestacional entre adolescentes caiu 17% em 2015, segundo dados preliminares do SINACS – Sistema de Informação sobre nascidos vivos, do Ministério da Saúde. Esse fato se deve, dentre outros indicadores, aos Programas de Políticas Públicas – Saúde da Família e Saúde na Escola, que orientam adolescentes entre 12 e 18 anos de idade sobre métodos contraceptivos, pré-natal e parto.

A esfera familiar é o campo de maior atuação no processo de cognição e de formação sóciocomportamental dos indivíduos. A notícia de uma gravidez de adolescente é recepcionada, inevitavelmente, com   a surpresa.  Esse fenômeno social é recorrente em todas as classes sociais. A decisão de permitir o desenvolvimento da gravidez, o recebimento do bebê e a convivência com os possíveis traumas causados por uma maternidade não planejada, demanda que a adolescente seja assistida por profissionais especializados, visto que podem surgir mudanças psicológicas causadas pela nova fase a ser vivenciada pela jovem.

O medo provocado por uma circunstância imprevista, muitas vezes, é balizador para decisões precipitadas ou até mesmo para ameaças e uso de práticas violentas à grávida, sejam físicas ou psicológicas, por exemplo. Após a aceitação, sob a condição preeminente de assumir a realidade sem a intenção de mudá-la, a adolescente pode buscar novos caminhos para uma vida saudável e feliz, afastando, assim, o aspecto de sofrimento que existia antes desta decisão. Os exames médicos tradicionais aliados ao acompanhamento terapêutico e ao amparo familiar serão as principais ferramentas para a construção de uma nova história e de um recomeço a caminho da maternidade.

Carregar o filho nos braços é uma preocupação de responsabilidade individual e social, pois nesta faixa etária, a apreensão da realidade está muito ligada às imposições sociais, podendo ser interpretada como um impedimento para o sucesso intelectual e o futuro profissional do indivíduo. Tal entendimento equivocado pode contribuir para a resignação, ou seja, a insatisfação e uma tendência à vitimização, corroborando para bloqueios no desenvolvimento da maternidade. Compreender a insurgência de uma nova vida como o início de um caminho diferente, significa pactuar um novo modo de viver, sem abdicar de sonhos e de realizações pessoais.

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Assim, o ser mãe, após essa compreensão, estará diretamente associado aos créditos maternais, tais como: afetuosidade, amamentação, cuidados com a higienização e crescimento do bebê. Portanto, assumir uma postura diferenciada em relação à maternidade na adolescência contribui para que haja a diminuição de transferência de responsabilidades para a família que, por sua vez, atuará no suporte à adolescente, e não assumirá a responsabilidade por completo.

Revisão: Antônio Monte Jr. e Jordânia Prata
Fotografia: Bruna Oliveira
Modelo: Letícia Paiva

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